A importância dos conselhos municipais na garantia de direitos e na aproximação com a população foi assunto de uma oficina realizada na Escola CME Silvio Paternez, em Tangará da Serra, durante a Semana de Extensão do curso de Jornalismo da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat). A atividade abordou alfabetização midiática, igualdade de gênero e trouxe à tona discussões sobre misoginia e violência contra a mulher.
A oficina foi conduzida pela professora Marli Barboza da Silva Lustig, com apoio das acadêmicas Danielly Ferreira e Beatriz Tavares discentes do curso de Jornalismo, que integrou um projeto de extensão voltado à assessoria de comunicação do Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres.

A proposta envolve promover reflexões sobre comunicação pública, transparência e o papel dos conselhos, incentivando a participação social e aproximando esse debate da população, para além dos espaços institucionais.
Parcerias e ações fortalecem atuação do Conselho na comunidade
Durante a oficina, foram detalhadas as principais estratégias de comunicação adotadas pelo Conselho para ampliar o alcance de suas ações junto à comunidade. Entre elas, destaca-se o uso do Instagram (cmdm.tga) como ferramenta central de divulgação, onde são compartilhadas campanhas mensais e atividades desenvolvidas ao longo do ano.
Essas iniciativas são realizadas pelo próprio Conselho quanto em parceria com o Gabinete de Políticas Públicas para Mulheres e outras instituições como a OAB, o Lions e a associação La Comuna, fortalecendo a articulação entre diferentes setores e promovendo o acesso da população às informações sobre direitos e políticas públicas voltadas às mulheres no município.
Outro ponto abordado foi a proposta de construção de um fluxograma voltado à orientação de vítimas de violência. A iniciativa busca organizar, de forma acessível, os caminhos que devem ser seguidos desde o registro da ocorrência até o acesso às medidas protetivas, além de esclarecer o papel de cada órgão envolvido em cada etapa do atendimento.
Participação e escuta fortalecem o protagonismo feminino
Uma das atividades práticas da oficina foi a dinâmica “Teia dos Direitos”, que reuniu nove participantes. Utilizando um barbante passado de mão em mão, as mulheres compartilharam suas realidades e apontaram demandas de seus bairros, simbolizando união, escuta e fortalecimento coletivo.
A participante Lucilene Farias Dantas, de 41 anos, manicure e integrante da associação La Comuna, ressaltou a importância da oficina para o fortalecimento das mulheres. Para ela, muitas ainda desconhecem seus direitos e os espaços de apoio disponíveis, o que torna iniciativas como essa fundamentais para orientação e acolhimento.

Lucilene também destacou o impacto da atividade no aspecto pessoal, ao incentivar a expressão e a superação do medo, além de fortalecer as relações dentro do ambiente familiar. Mãe de três filhos, ela afirma que a experiência contribui para encorajar as novas gerações. “Sou mãe de três filhos e vejo como isso incentiva elas a fazerem suas próprias escolhas, a irem atrás do que querem e do que podem”, afirmou.
Apesar da participação reduzida, influenciada pela chuva e pelo horário da atividade, a avaliação da organização é positiva. Segundo Marli Barboza, ações como essa exigem continuidade para fortalecer o vínculo com a comunidade.“Esse é um processo gradual. Muitas pessoas disseram que não conheciam o Conselho e demonstraram interesse em participar das próximas atividades”, relatou.
A iniciativa reforça a importância dos conselhos municipais como espaços de participação social, fiscalização e fortalecimento das políticas públicas, além de evidenciar o papel da universidade na aproximação com a comunidade e na ampliação das discussões sobre temas relevantes



