Apesar dos avanços na legislação voltada à inclusão de pessoas com deficiência, a acessibilidade ainda representa desafio em Tangará da Serra. A falta de rampas de acesso, calçadas danificadas e obstáculos nas vias públicas transformam tarefas simples do dia a dia em dificuldades constantes, comprometendo a mobilidade e a autonomia de parte da população. Durante as discussões sobre mobilidade urbana promovida pela Prefeitura para elaboração do Plano de Mobilidade Urbana do município, a acessibilidade voltou a ser tema de debate entre moradores e representantes da sociedade civil. Embora o assunto esteja presente no planejamento público, problemas estruturais continuam sendo encontrados em diferentes regiões da cidade.

Durante levantamento realizado em ruas da região central, especialmente na Avenida Brasil, foram identificadas calçadas irregulares, ausência de rampas de acesso e até postes instalados no meio do caminho, dificultando a passagem de cadeirantes e colocando em risco a segurança de pedestres. Em alguns trechos, a falta de continuidade das calçadas obriga pessoas com mobilidade reduzida a utilizarem a via junto aos veículos.
Mobilidade comprometida nas ruas da cidade
A precariedade das calçadas e a ausência de estruturas adequadas têm limitado a autonomia de pessoas com deficiência em Tangará da Serra, tornando o deslocamento diário mais difícil e inseguro. Diante desse cenário, a estudante Ana Paula Silva, 35 anos, cadeirante há cinco anos, conta que evita sair desacompanhada sempre que pode. “Existem locais onde não consigo chegar. Em algumas situações, sou obrigada a ir para a rua, porque a calçada está em más condições. Acabamos dividindo espaço com os carros, o que é arriscado”, relata.
Os problemas identificados no centro da cidade também são relatados em outros bairros do município. A falta de acessibilidade nas vias públicas afeta não apenas cadeirantes, mas também idosos, pessoas com deficiência visual e mães que circulam com carrinhos de bebê, ampliando os impactos no cotidiano da população.
Especialistas e entidades ligadas à inclusão apontam que a ausência de rampas e a má conservação das calçadas comprometem o direito de ir e vir e reforçam a exclusão social. Além disso, a falta de acessibilidade impacta diretamente a autonomia dessas pessoas, limitando o acesso a serviços básicos, educação, trabalho e lazer.
Exemplos positivos mostram caminhos possíveis
Embora ainda existam muitos desafios, alguns espaços públicos e privados do município já apresentam adaptações que facilitam a circulação de pessoas com mobilidade reduzida. Em locais onde há rampas adequadas, piso regular e rotas acessíveis, o deslocamento ocorre com mais segurança e autonomia demonstrando que a acessibilidade pode ser afetiva quando planejada e executada corretamente.

Foto 01: 22°CIRETRAN Foto 02: UPA- Unidade de Pronto Atendimento
Planejamento não acompanha a realidade
A Lei Brasileira de Inclusão (LBI) estabelece a acessibilidade como um direito fundamental, garantindo condições para que pessoas com deficiência possam utilizar espaços públicos e privados com segurança e autonomia. A legislação também prevê a eliminação de barreiras que impeçam a participação plena na sociedade. No entanto, na prática, a realidade ainda evidencia obstáculos urbanos que dificultam a circulação e limitam o exercício desses direitos no cotidiano.
A Prefeitura de Tangará da Serra informou, em nota, que realizará ações de melhoria na infraestrutura urbana e destacou a realização de audiências públicas para a elaboração do Plano de Mobilidade Urbana, que prevê avanços na acessibilidade. Apesar disso, as medidas ainda não se refletem de forma concreta nas ruas da cidade, onde persistem calçadas irregulares, ausência de rampas e obstáculos que comprometem a circulação. Não foi informado um prazo específico para a adequação completa das vias. Enquanto isso, para quem enfrenta diariamente as dificuldades impostas pela falta de acessibilidade, a garantia de uma circulação segura e confortável ainda está longe de ser uma realidade.



