O Cineclube Alto da Serra (Cicas) estreou no último sábado (04/04), no Ponto de Cultura Flor do Mato, a iniciativa busca promover encontros, reflexões e debates sobre cultura e sociedade por meio do cinema. Reunindo a comunidade em torno da exibição do clássico Cinema Paradiso (1988). O projeto busca criar um espaço de diálogo sobre cultura, memória e território.

A ideia de criar o Cineclube segundo o organizador Victor Hugo, surgiu de um sonho antigo. “A ideia de ter um cineclube sempre existiu, uma vontade que eu e outras pessoas envolvidas com o projeto sempre tivemos. Quando surgiu o financiamento, a partir da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) e do edital Cinemotion, vimos um caminho para transformar isso em algo maior”, explica.
A proposta, segundo ele, é ir além de um interesse pessoal e construir um espaço coletivo e levar o cinema para além dos hobbies, como uma atividade cultural e criar uma comunidade que compartilhasse desse interesse.
O Cineclube aposta no diálogo como ferramenta. As sessões são acompanhadas por rodas de conversa que incentivam o público a refletir sobre diferentes aspectos das obras. “O debate e as conversas aqui acontecem com o além de assistir o filme, mas pensar na mensagem que ele quer passar, como ele é feito, que tipo de recepção tem e muitos outros aspectos da área. Então o Cineclube também quer que as pessoas pensem sobre o filme, saibam como ele é produzido, é formação de pensamento crítico e entender o cinema como arte, mas também como forma de expressão e identidade”, explica Victor Hugo.
Para Victor, iniciativas culturais como essa têm um papel fundamental na sociedade, especialmente em contextos onde o acesso à cultura ainda é limitado. “A cultura precisa ser plural e é essencial na vida das pessoas. Ela não é só lazer, mas ajuda a entender o nosso lugar, a se expressar e se encontrar. A cultura constrói a identidade de um povo, mantém vivos valores e tradições, além de estimular pensamento crítico, empatia e criatividade”, pontua.
Ele também reforça que projetos como o Cineclube contribuem para democratizar o acesso cultural e amplia o acesso à cultura ao criar espaços alternativos de exibição gratuitos, fora do circuito comercial. Sobre o futuro, a iniciativa já tem planos de continuidade e expansão. “A ideia é realizar sessões com rodas de conversa pelo menos uma vez por mês, e futuramente expandir essa iniciação em cineclubismo também com oficinas.
Gabriel Ramos estudante de jornalismo, de 20 anos participou do evento e contou um pouco de como foi sua experiência na estreia do Cineclube, destaca que o interesse pelo cinema foi o principal motivo para estar presente, além de amar o cinema ele acredita que promover essas atividades na cidade fortalecem a cena cultural.
Para ele, a experiência de assistir ao filme em um espaço coletivo trouxe uma nova perspectiva sobre a obra exibida. “Foi muito legal. Passou o filme que contava sobre a relação de uma criança com o cinema, e mostrava a relação da sociedade na época com o audiovisual, então isso é muito interessante, ver os medos e as curiosidades.” Relata. Gabriel também acredita que iniciativas como o Cineclube têm um impacto direto na comunidade, fortalece a cena local, promove integração entre os jovens do município e democratiza o acesso à cultura e ao cinema.
Além disso, ele reforça a importância do cinema na formação individual e social. “O cinema é um dos primeiros contatos com a arte e com a sociedade. As crianças aprendem assistindo ao audiovisual, a gente aprende regras da sociedade e cultura a partir disso, então contribuiu imensamente”, explica. Animado com a proposta, ele demonstra interesse em continuar participando das próximas sessões. “Se Deus quiser, de todas”, concluiu.
Texto: Nathally Marinho
Imagem: Samara Freires



