A populaçao de Tangará manifesta preocupação com bueiros sem manutenção e drenagem deficiente preocupam moradores e comerciantes. 

Acúmulo de terra, entupimentos recorrentes e possíveis falhas estruturais mantêm moradores em alerta e expõem um problema antigo em Tangará da Serra. 

BUEIRO RUA S.AO PAULO (16) Irene Lopes

As imagens de enchentes registradas em anos anteriores ainda estão vivas na memória dos moradores. Muitos afirmam que, enquanto os bueiros permanecerem sem limpeza adequada e sem avaliação técnica da capacidade da rede, os problemas tendem a se repetir. Moradora da região, Vera Godoy (63) afirma que a situação é antiga e se agravou ao longo dos anos. 

“Todo mundo que mora aqui já sabe o que acontece quando vem uma chuva mais forte. A gente vê os bueiros cheios de terra, vê que falta manutenção e fica esperando o problema acontecer de novo. É uma preocupação constante para quem mora aqui”, relatou.Ela acrescenta que a comunidade cobra soluções há anos. 

“A gente não quer solução provisória. O que os moradores querem é uma solução definitiva para um problema que existe há muito tempo.” 

 Mesmo em pleno período de estiagem, bueiros tomados por terra, sedimentos e resíduos continuam chamando a atenção de moradores e comerciantes da Rua Um, em Tangará da Serra. Para quem convive diariamente com a situação, o problema vai além da limpeza urbana, a falta de manutenção preventiva e possíveis deficiências na infraestrutura de drenagem transformaram os transtornos em uma preocupação permanente. 

O comerciante Wilhhan Dias Ribeiro (34), que possui estabelecimento na Rua Um, afirma que a falta de manutenção prejudica diretamente a atividade econômica da região. 

“Os bueiros ficam cheios de sujeira e sedimentos. Quando acontece um período de chuva mais intenso, o sistema não consegue dar vazão. Além disso, o mau cheiro é frequente e afeta tanto os comerciantes quanto os clientes”. 

Audio Wilhan Dias Ribeiro

Segundo ele, a situação compromete a imagem da região comercial. 

Entre os moradores mais afetados está Elias Maurício Sales, (41), residente na Rua Jaci Bom, antiga Rua 4. Ele calcula que os prejuízos acumulados ao longo dos anos já ultrapassaram R$ 18 mil. 

ELIAS MAURICIO REGISTRA O PREJUIZO RECORRENTE
Audio de Elias Mauricio Sales

“Todo ano aqui em casa nós temos prejuízo. Já chegamos a R$ 18 mil só de prejuízo dentro da residência. É um problema que se repete há anos e que continua sem solução”, afirmou. 

Morador antigo da região, Pedro Cordeiro da Silva (77) diz estar cansado de conviver com o mesmo problema. 

“Eu moro aqui há muitos anos e vejo que pouca coisa mudou. As pessoas reclamam, mostram o problema, mas as soluções não aparecem na mesma velocidade”, afirmou. Ele também aponta dificuldade da população em cobrar melhorias. 

PEDRO CORDEIRO DA SILVA REGISTRA ENCHENTE NA PROPRIA CASA

Tem muita gente simples aqui, trabalhadores que não têm conhecimento técnico para entender exatamente o que está errado. Eles apenas convivem com os prejuízos e esperam que alguém resolva.

Especialista aponta necessidade de manutenção e avaliação técnica da drenagem 

O engenheiro ambiental, mestre em Recursos Hídricos, Décio Eloi Siebert (77), proprietário da Siebert Ambiental, explica que a eficiência de um sistema de drenagem depende tanto do correto dimensionamento quanto da manutenção periódica. 

IMAGEM CEDIDA POR ENGENHEIRO AMBIENTAL DECIO ELOI SIEBER

“A população normalmente vê apenas a boca de lobo ou o bueiro, mas existe toda uma estrutura subterrânea responsável por captar e conduzir a água. Quando esse sistema deixa de receber manutenção adequada, perde eficiência e os problemas começam a surgir”, explicou. 

Segundo o especialista, o dimensionamento hidráulico é essencial para evitar alagamentos e erosões. A estimativa da vazão é geralmente feita pelo Método Racional: 

 A definição da escolha se dá por aspectos técnicos, tais como, vazão de projeto, do desnível do terreno, do tipo de solo, das condições do terreno e do tráfego no local. Bueiro tubular: normalmente utilizado para vazões menores e médias. É mais simples e econômico. Pode ser de concreto, PEAD ou metálico.  Nós estamos trabalhando num projeto onde utilizaremos tubulação de PEAD em todo a obra, inclusive nas passagens de ruas com tráfego pesado, onde funcionam como bueiro. Em estradas rurais normalmente se utiliza bueiros. Galeria celular: usada em situações onde se tem:  o vazões altas,  o em passagens largas e baixas, os muitos sedimentos na água do fluxo;  o para facilitar a manutenção interna.  A galeria normalmente é utilizada em áreas urbanas onde tem um grande volume de drenagem   

𝑄 =𝐶⋅𝑖⋅𝐴 

 
Onde: Q = vazão; C = coeficiente de escoamento; i = intensidade da chuva; A = área da bacia. Erros nesse cálculo podem resultar em alagamentos, rompimento de aterros e abertura de crateras. 

Por que o asfalto cede? 

IMAGEM CEDIDA POR DECIO ELOI SIEBERT

O colapso do pavimento após chuvas intensas é frequentemente o estágio final de problemas estruturais ocultos. Erosão interna (piping): infiltração de água ao redor do tubo, carregando partículas do solo. Compactação inadequada, falhas na execução do aterro lateral. Juntas mal executadas, vazamentos pelas conexões da tubagem. Obstrução entupimento que força a água a buscar caminhos laterais, formando vazios subterrâneos. 

Prefeituras já u utilizam várias soluções para evitar que resíduos obstruam os bueiros e causem alagamentos. Entre as principais medidas está a limpeza periódica das ruas e das redes de drenagem, com a retirada de lixo, folhas e areia que se acumulam com o tempo. Também é comum a instalação de grades, bueiros inteligentes e telas de proteção nos bueiros, que impedem a entrada de objetos maiores, como plásticos, garrafas e outros resíduos sólidos. Outra solução importante é a construção de caixas de retenção de resíduos e de areia, que funcionam como filtros antes da água chegar às tubulações principais. Algumas cidades também utilizam inspeção e monitoramento com câmeras, permitindo identificar entupimentos de forma rápida e reduzir o risco de enchentes. Além disso, investimentos em infraestrutura verde, como jardins de chuva e áreas permeáveis, ajudam a diminuir o volume de água e a filtrar parte da sujeira. Junto a tudo isso, campanhas de conscientização da população são essenciais para reduzir o descarte irregular de lixo e manter o sistema de drenagem funcionando corretamente. https://youtu.be/Ym24Wn3Nnc4?si=wiV7ut92aCsSbfvi

Dissipadores de energia: o “travão” necessário 

Um bueiro sem dissipador pode comprometer a estabilidade do terreno. Quando a velocidade da água ultrapassa cerca de 1,5 a 2,0 m/s, medidas de proteção tornam-se necessárias. 

Bacia de dissipação vs. escada hidráulica: 

– Bacia de dissipação: reduz a energia por turbulência e ressalto hidráulico na saída de canais ou bueiros. 
– Escada hidráulica: reduz a energia gradualmente em degraus sucessivos, indicada para declives acentuados. As normas e manuais do DNT e hidráulica aplicada indicam necessidade de dissipação quando a velocidade ultrapassa a resistência do revestimento do solo ou canal. Em geral, solo natural, velocidades baixas, gramados, moderadas, enrocamentos/concreto, suportam maiores velocidades.  Pode-se considerar os seguintes parâmetros,  acima de ~1,5–2,0 m/s em solo exposto já existe risco relevante de erosão, velocidades maiores normalmente exigem proteção ou dissipação.  A análise depende, do tipo de solo, da declividade, da vazão, do revestimento.  

https://share.google/Lw2D1rQ2YQEYA15oV

 https://uploads.knightlab.com/storymapjs/5e2d0757d0017354c6b255c5e4a68122/bueiro/index.html

A Secretaria de Infraestrutura (SINFRA), por meio do secretário Magno César Ferreira (51), que informou não possuir números precisos sobre a quantidade de bueiros existentes no município. 

Bueiro deteriorado -Irene Lopes

Enquanto isso, moradores e comerciantes defendem a implantação de um programa permanente de inspeção, limpeza e manutenção da rede de drenagem urbana. A ausência de dados básicos, segundo especialistas, dificulta o planejamento de ações preventivas e pode agravar problemas estruturais já existentes. A prevenção, destacam técnicos, é fundamental para evitar falhas mais graves no sistema de drenagem. O dimensionamento hidráulico adequado, aliado à manutenção periódica, é apontado como essencial para reduzir riscos de alagamentos e erosões. 

 

ESTRUTURA MOSTRA A CAPACIDADE DE VAZÃO. Irene lopes

 

VIDEO MOSTRA EROSÃO DO LADO DA RUA NEFTS DE CARVALHO. Irene Lopes

 

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