
“Uma marca silenciosa para muitas mulheres” – Maria Cecilha
Foto: Samara Freires
As chaves sobre a mesa eram mais do que um objeto comum. Para Maria, elas representavam uma conquista. Aos 21 anos, havia deixado a casa dos pais para morar sozinha, realizando o sonho de construir a própria independência. Entre contas para pagar, faculdade, refeições preparadas às pressas e a rotina de trabalho, ela aprendia a ocupar o espaço que agora chamava de lar.
Foi naquele período de descobertas e responsabilidades que uma notícia inesperada atravessou seus planos. Com cerca de seis semanas de gestação no início de fevereiro de 2023, Maria descobriu que estava grávida. A felicidade pela chegada de um filho dividia espaço com dúvidas e inseguranças. Separada do pai da criança, que optou por não assumir a responsabilidade da paternidade, e receosa quanto à reação das pessoas ao seu redor, a caçula da família Santos enfrentava um momento de grande vulnerabilidade. Integrante de uma família composta pelos pais, uma irmã, um irmão e dois sobrinhos, ela havia chegado ainda criança a Tangará da Serra, após deixar o estado de Alagoas com a família em busca de uma nova vida em Mato Grosso.
Maria, optou por seguir com a gravidez, mesmo diante das incertezas que surgiam a cada dia, naquele momento, sua rotina ganhou novos desafios. Além das responsabilidades da vida adulta e da independência recém-conquistada, passou a enfrentar uma jornada tripla, conciliando o trabalho exaustivo de frentista em posto de gasolina, a faculdade de enfermagem com os cuidados da gestação. Entre consultas médicas, exames e os compromissos diários, tentava organizar o futuro enquanto se adaptava à nova realidade. Por semanas, Maria guardou a notícia apenas para si. O silêncio era acompanhado pelo peso das decisões que acreditava precisar tomar sozinha. Foi somente cerca de um mês após descobrir a gravidez, durante o início do pré-natal realizado no Posto Central, unidade de saúde da região onde morava, que encontrou coragem para compartilhar a novidade com a mãe, Josefa.
Conhecida na família pelo cuidado constante com os filhos e pelo jeito protetor, Josefa sempre esteve presente nos momentos mais importantes da vida da caçula. A surpresa inicial ao receber a notícia logo deu lugar ao acolhimento. A partir daquele momento, ela se tornou a principal rede de apoio de Maria, acompanhando-a nas consultas, exames e em cada etapa da gestação. Mais do que uma mãe, Josefa foi o suporte que ajudou a filha a enfrentar os medos e as incertezas que surgiram ao longo daquele período.
Com pouco mais de um salário mínimo como fonte de renda e sem o apoio financeiro do pai da criança, Maria sabia que precisaria arcar sozinha com as despesas que surgiriam nos meses seguintes. Enxoval, móveis, fraldas e outros itens essenciais passaram a ocupar seus pensamentos. Na tentativa de se preparar financeiramente para a chegada do bebê, ela começou a aceitar mais diárias e jornadas extras no posto onde trabalhava.
A rotina, que antes já exigia esforço físico, tornou-se ainda mais desgastante. Entre longas horas de trabalho e os compromissos do pré-natal, o descanso foi ficando cada vez mais escasso. Foi no final de março, quando a gestação alcançava cerca de 16 semanas, que os primeiros sinais de complicação apareceram. Sangramentos frequentes e episódios de mal-estar passaram a fazer parte de seu cotidiano. Mesmo diante dos sintomas, Maria continuou trabalhando. A preocupação em garantir condições para receber o filho que estava por vir falava mais alto. No entanto, à medida que os problemas se intensificaram, tornou-se impossível ignorar que algo não estava bem. Mesmo contando com o apoio da mãe, um sentimento de solidão ainda acompanhava sua trajetória. Em meio aos desafios da maternidade solo, havia um peso que nem sempre podia ser compartilhado.
Na manhã de 19 de maio de 2023, quando estava com cerca de 22 semanas de gestação, Maria acordou com uma forte dor abdominal. O desconforto veio acompanhado por um sangramento intenso, diferente dos episódios que já havia enfrentado nos meses anteriores. Assustada com a situação, ligou imediatamente para a mãe, Josefa. As duas seguiram para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Tangará da Serra. Durante o trajeto, a preocupação aumentava a cada minuto. Após semanas convivendo com sangramentos e mal-estar, Maria temia que algo pudesse acontecer com o bebê. Ao chegar à unidade, foi atendida pela equipe de saúde, que iniciou os procedimentos para avaliar seu estado clínico e o da gestação.
Atendida com urgência, Maria passou por avaliação médica. Logo após a realização do exame de toque (procedimento em que o profissional de saúde avalia, por meio da palpação interna, as condições do colo do útero e possíveis alterações relacionadas à gestação), recebeu a notícia de que estava sofrendo um aborto espontâneo. Em seguida, foi medicada para aliviar a dor e submetida a uma curetagem uterina (procedimento realizado para remover tecidos que permanecem no interior do útero após a interrupção da gestação, prevenindo complicações como infecções e hemorragias). Embora a intervenção costume durar menos de uma hora, Maria permaneceu internada por três dias, período em que recebeu cuidados da equipe de saúde e monitoramento de seu estado físico
O enxoval já contava com algumas peças. Aos poucos, a bebê passava a ocupar um espaço não apenas na barriga, mas também nos planos e sonhos que Maria construía para o futuro. Desde a descoberta da gestação, sua presença foi imaginada em cada detalhe da nova vida que a mãe projetava. Mas com o aborto espontâneo, esse futuro precisou ser interrompido de forma repentina. A bebê passou a ocupar outro lugar: o das lembranças, da saudade e do luto.
Os dias que se seguiram no hospital foram marcados pelo acolhimento e atendimento psicológico. Maria recorda o atendimento da equipe de saúde como sensível, empático e respeitoso, oferecendo o cuidado necessário em um dos momentos mais difíceis de sua vida. Apesar disso, nenhuma assistência foi capaz de apagar a dor da perda que precisava aprender a carregar. Quando recebeu alta médica, permaneceu por alguns dias na casa da mãe. Josefa continuou sendo seu principal apoio, ajudando nos cuidados diários e oferecendo companhia em um período marcado pelo sofrimento e pela adaptação a uma nova realidade. Aos poucos, Maria retomou a rotina em sua própria casa, mas a vida já não era a mesma.
Foi preciso voltar ao trabalho, retomar as atividades da faculdade e reorganizar uma rotina que, até poucas semanas antes, estava sendo planejada para a chegada de um bebê. Entre compromissos profissionais, estudos e tarefas do dia a dia, ela precisou encontrar forças para seguir em frente enquanto elaborava o luto.
Nesse processo, um recurso foi fundamental para sua recuperação: o acompanhamento psicológico. Maria já realizava terapia antes da perda gestacional, mas, após o aborto espontâneo, as sessões se tornaram mais frequentes. O suporte profissional ajudou a compreender os sentimentos que surgiam, lidar com a dor e reconstruir gradualmente sua rotina, sem ignorar a experiência que havia transformado sua vida.

“È uma dor como a de um parto, muito forte” – Maria Cecilha
Foto: Samara Freires
Os desafios do suporte pós-perda gestacional
Segundo Alice Cristina Baggio, enfermeira que atua há 13 anos na Atenção Básica de Tangará da Serra, o atendimento às mulheres que passam por uma perda gestacional, como ocorreu com Maria, começa com acolhimento e classificação de risco. São avaliados fatores como intensidade do sangramento, presença de dor e condições gerais da paciente, antes do encaminhamento para atendimento médico e acompanhamento especializado. Após a alta hospitalar, os cuidados físicos continuam com orientações sobre recuperação, prevenção de infecções e acompanhamento na unidade de saúde. Quando necessário, também podem ser realizados encaminhamentos para atendimento psicológico.

No entanto, a recuperação após uma perda gestacional vai além dos aspectos físicos. Sentimentos como tristeza, culpa, ansiedade, medo de futuras gestações e sofrimento emocional prolongado são comuns nesse processo. Por isso, as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS) preveem atendimento humanizado e suporte emocional às mulheres que enfrentam o abortamento.
Para a enfermeira, que atua na Atenção Básica, o acolhimento é uma parte fundamental desse cuidado, embora ainda existam desafios relacionados à capacitação dos profissionais. “Eu, sinceramente, nunca recebi uma capacitação ou palestra específica sobre o tema. Acredito que a gestão deva fornecer esse tipo de formação para os profissionais que atuam nas maternidades e hospitais, mas também para nós da Atenção Básica, que muitas vezes acompanhamos essas mulheres antes e depois da perda”, afirma.
Mesmo diante dessa lacuna, ela destaca que o acolhimento faz parte da rotina das unidades de saúde. “Nós, profissionais da UBS, oferecemos escuta empática, comunicação adequada e acolhimento”, explica. Segundo a enfermeira, o suporte emocional é tão importante quanto os cuidados físicos, especialmente porque o luto gestacional ainda é pouco discutido socialmente, o que pode fazer com que muitas mulheres enfrentam esse processo em silêncio.
Esse cuidado está previsto na Política Nacional de Humanização do Luto Materno e Parental, instituída pela Lei nº 15.139, de 23 de maio de 2025. Entre as determinações da norma está o encaminhamento de mães e familiares para acompanhamento psicológico após a alta hospitalar, quando necessário, além da articulação entre hospitais e unidades de saúde para garantir a continuidade do cuidado.
O artigo 9º da lei estabelece que os serviços de saúde devem “encaminhar mãe, pai e outros familiares diretamente envolvidos, quando solicitado ou constatada a sua necessidade, para acompanhamento psicológico após a alta hospitalar”. A mesma legislação também prevê a capacitação permanente dos profissionais de saúde para o atendimento de famílias em situação de luto gestacional.
A íntegra da Lei nº 15.139/2025 está disponível no portal da Presidência da República. Acesse: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2025/lei/l15139.htm?utm_source
Durante a entrevista, a enfermeira relatou nunca ter participado de capacitações específicas sobre o atendimento a mulheres em situação de luto gestacional. A profissional também informou que a rede pública municipal conta com apenas um psicólogo para atender as demandas encaminhadas pelo SUS.
O cenário levanta questionamentos sobre a capacidade da rede de saúde em garantir, na prática, o suporte previsto pela legislação. Como assegurar o acompanhamento psicológico contínuo de mulheres que enfrentam a perda gestacional diante da sobrecarga dos serviços de saúde mental? E de que forma os profissionais da Atenção Básica podem ser preparados para acolher essas pacientes se a capacitação especializada ainda não alcança todos os níveis da rede?
Embora o acolhimento e a escuta sejam oferecidos pelas equipes de saúde, especialistas apontam que a efetivação das políticas públicas depende não apenas da existência da legislação, mas também de investimentos em estrutura, recursos humanos e qualificação profissional.
Os dados indicam que os registros de mortalidade fetal em Mato Grosso permaneceram acima de 480 casos anuais entre 2022 e 2025. Em Tangará da Serra, os números são significativamente menores, mas revelam que a perda gestacional continua presente na realidade local, reforçando a importância de políticas de acolhimento e assistência às famílias afetadas.

A preocupação também é compartilhada pelo ginecologista e obstetra Evaldo Genner Rodrigues, que atua em Tangará da Serra e acumula 23 anos de experiência na área. Há cerca de seis anos, o médico atende na rede privada, por meio da Unimed, mas grande parte de sua trajetória profissional foi construída no Sistema Único de Saúde (SUS), onde acompanhou diferentes realidades relacionadas à saúde da mulher.
Segundo Evaldo, além da dor emocional provocada pela perda, a interrupção da gestação exige cuidados físicos importantes. Em alguns casos, a permanência de resíduos no útero pode causar infecções, formação de cicatrizes uterinas e até comprometer futuras gestações, tornando fundamental a realização e o acompanhamento adequado dos procedimentos indicados pela equipe médica. Para o obstetra, o acompanhamento após a perda gestacional deve considerar tanto a recuperação física quanto os impactos emocionais vivenciados pela paciente, uma vez que o luto pode se estender por semanas ou meses, exigindo suporte contínuo da rede de saúde e da família.

Foto: Samara Freires
De acordo com a especialista, toda mulher que passa por uma perda gestacional, independentemente do tempo de gravidez, merece acolhimento e suporte emocional. Ele avalia que o luto associado ao aborto espontâneo ainda é pouco discutido pela sociedade e que muitas pacientes enfrentam esse momento sem uma rede organizada de acompanhamento. “É um tema pouco falado, pouco lembrado e de extrema importância. Eu não conheço nenhuma rede de apoio estruturada em nível estadual voltada especificamente para mulheres que passaram por perda gestacional. Muitas acabam enfrentando esse processo praticamente sozinhas, contando apenas com o apoio da família ou buscando ajuda por iniciativa própria”, afirma.
A ausência de uma estrutura específica para esses casos levanta discussões sobre quais estratégias poderiam fortalecer o acolhimento às mulheres após a perda gestacional. Entre as possibilidades apontadas por especialistas da área da saúde estão o acompanhamento psicológico contínuo, o monitoramento pela Atenção Básica após a alta hospitalar e a criação de espaços de escuta e grupos de apoio para mulheres que vivenciaram experiências semelhantes.
A reflexão ganha ainda mais relevância quando observada a trajetória de Maria. Após a perda gestacional, ela encontrou suporte em um acompanhamento psicológico particular que já realizava antes da gravidez e que foi intensificado durante o período de recuperação. No entanto, a realidade dela não necessariamente reflete a de outras mulheres que dependem exclusivamente dos serviços públicos para acessar esse tipo de assistência.
O médico também chamou a atenção para um aspecto pouco debatido: o impacto emocional da perda sobre os próprios profissionais de saúde. “Porque todo mundo espera ver dois. Quando sai um só, é muito difícil. E quando não sai nenhum, o mundo cai. Todos esperam sempre que saiam dois ali. É muito duro para o médico, é muito duro para a enfermagem, é difícil para todo mundo”conclui. A fala evidencia que a perda gestacional ultrapassa os limites do consultório e afeta todos os envolvidos no processo.

“Muitas vezes falta palavras para explicar o que a gente sente” – Maria Cecilia
Foto: Samara Freires
Entre o acolhimento e a reconstrução da vida
A psicóloga Neuza Santos Brock, que atua há quatro anos na área da neuropsicologia, explica que o luto gestacional é uma experiência única e individual, que exige acolhimento e cuidado especializado. Segundo ela, o acompanhamento psicológico desempenha um papel fundamental na elaboração da perda e na retomada gradual da rotina.
“O luto gestacional é um processo singular. O suporte psicológico favorece a construção de significados para essa experiência e oferece um espaço seguro para que a mulher possa expressar emoções que muitas vezes são silenciadas pelo medo do julgamento ou pela falta de compreensão social”, afirma.

De acordo com a profissional, durante o processo terapêutico são trabalhados aspectos relacionados à organização dos sentimentos, à reconstrução do senso de continuidade da vida e às mudanças que a perda pode provocar na identidade feminina, nas relações familiares e conjugais. O acompanhamento também auxilia na elaboração dos receios relacionados a futuras gestações.
A psicóloga destaca ainda que, embora o sofrimento seja uma resposta esperada diante da perda gestacional, alguns sinais podem indicar a necessidade de acompanhamento especializado. Entre eles estão tristeza intensa e persistente, crises frequentes de ansiedade, alterações importantes no sono ou no apetite, isolamento social, dificuldades para realizar atividades cotidianas e sentimentos excessivos de culpa.
“Familiares e amigos têm um papel muito importante nesse processo. Oferecer uma escuta acolhedora, respeitar o tempo dessa mulher e evitar frases que minimizem sua dor são atitudes que contribuem significativamente para um enfrentamento mais saudável do luto”, ressalta.
Leia também:
Luto: entender o processo de sofrimento e a importância de vivenciá-lo
A reportagem explica que o luto não está relacionado apenas à morte, mas também a diferentes tipos de perdas, destacando a importância de reconhecer e elaborar esse processo.
Link: https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2022/05/15/luto-entenda-fases-e-importancia-de-viver-sofrimento-que-nao-esta-relacionado-apenas-com-a-morte.ghtml
Famílias transformam dor da perda gestacional em apoio coletivo
A matéria mostra como grupos de apoio podem ajudar famílias que passaram por perdas durante a gestação a compartilhar experiências e encontrar acolhimento.
Link: https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2022/10/15/familias-que-passaram-por-perda-na-gestacao-se-unem-para-dar-novo-significado-a-dor-do-luto-em-fortaleza.ghtml
Nova gravidez após uma perda gestacional: o processo de recomeço
A matéria aborda a experiência de Tati Machado ao anunciar uma nova gestação após vivenciar uma perda, trazendo reflexões sobre o acompanhamento médico e emocional em uma nova gravidez.
Link: https://f5.folha.uol.com.br/celebridades/2026/06/tati-machado-anuncia-nova-gravidez-um-ano-apos-perda-gestacional.shtml


ensaio gravida da sua filha Lorena.
Foto: Samara Freires

A história de Maria não terminou naquele quarto de hospital em maio de 2023.
Pouco mais de um ano, em 3 de agosto de 2024, nasceu Gael. A gestação foi marcada por medos, cuidados redobrados e incertezas, mas, dessa vez, ela pôde segurar o filho nos braços. O nascimento trouxe a alegria que por tanto tempo parecia distante. Ao longo desse processo, Maria também buscou acompanhamento psicológico particular. O espaço de escuta a ajudou a compreender sentimentos, elaborar as perdas e atravessar um período marcado por dúvidas, medos e recomeços.
Meses depois, uma nova gravidez chegou acompanhada de sentimentos contraditórios. Junto à esperança, Maria precisou enfrentar novamente o luto de uma nova perda gestacional. Mais uma vez, viu planos serem interrompidos e sonhos precisam ser reconstruídos. Mas a maternidade encontrou novos caminhos. Em 4 de junho de 2026, nasceu Lorena. Surpresa, desafio e recomeço, a filha chegou para ocupar mais um espaço na vida de Maria e ampliar uma história marcada por amor, perdas e resistência.
Hoje, ela se define como mãe de quatro filhos. Dois vivem nas lembranças que carrega consigo. Outros dois, Gael e Lorena, estão presentes em seus dias, transformando a rotina e dando novos significados à palavra futuro. As marcas das perdas permanecem. O luto não desaparece, nem apaga os nomes, os sonhos ou os planos que um dia existiram. Mas, entre as ausências e as presenças, Maria encontrou forças para seguir.
Hoje, sua rotina é marcada pelos desafios e conquistas da vida que continuou sendo construída. Ela cursa o 7º período de Enfermagem, área que escolheu justamente por acreditar no cuidado e no acolhimento ao próximo. Paralelamente aos estudos, administra o próprio negócio de confeitaria, o Cantinho da Ceci, conciliando a produção de encomendas com as atividades acadêmicas e familiares.
Embora tenha conquistado autonomia ao longo dos anos, o apoio da mãe, Josefa, continua sendo uma presença importante em sua vida. Entre a faculdade, o trabalho e os cuidados com os filhos, Maria segue escrevendo uma nova história. Uma história que não apaga a dor das perdas vividas, mas que demonstra que, mesmo diante do luto, é possível encontrar caminhos para reconstruir projetos, fortalecer vínculos e continuar seguindo em frente.
“Meus filhos coloriram a minha vida”– Maria Cecilha



