Dados apontam que pelo menos 7 mulheres teriam sido assassinadas na frente dos filhos em 2025

Em 2025, 1.568 casos de feminicídio foram registrados em todo o Brasil, um recorde histórico desde a tipificação do crime em 2015. Desses casos, 53 aconteceram em Mato Grosso, conforme apontam os dados do Fórum de Segurança Pública de 2026, deixando o estado em décimo lugar no ranking. São Paulo (270) e Minas Gerais (177) ocupam os primeiros lugares.
De acordo com o Relatório de Mortes Violentas de Meninas e Mulheres, publicado pela Polícia Judiciária Civil (PJC) de Mato Grosso, dessas 53 vítimas, 43 eram mães. Esses ocorridos deixaram 89 órfãos, dos quais mais da metade (51%) são crianças e adolescentes de até 15 anos de idade. Ainda segundo o relatório, pelo menos 7 dessas mulheres foram assassinadas na frente de seus filhos.
Embora todas as mulheres sejam potenciais vítimas, os casos recentes revelam um cenário marcado por problemas sistêmicos, como vulnerabilidade, desigualdade social, de gênero e de raça. O relatório aponta que 40% das vítimas tinham entre 30 e 45 anos de idade, 77% eram negras (19% pretas e 58% pardas) e 28% exerciam trabalhos domésticos e de cuidados.
No que diz respeito aos autores do crime, 79% possuía vínculos afetivos com as vítimas, sendo 25 deles parceiros íntimos e 17 ex-parceiros. Esses números demonstram que o feminicídio tem natureza em sentimentos de posse e dominação de homens sobre as mulheres, enraizados na sociedade patriarcal em que vivemos e cultivado ao longo da história.
De acordo com a Polícia Civil, em Mato Grosso 100% dos casos foram resolvidos em 2025. Dos 53, foram identificados e investigados 56 autores, o que significa que mais de uma pessoa esteve envolvida em alguns dos casos. Desses agressores, 47 foram detidos, informa a PJC.
Segundo a Secretaria De Estado De Segurança Pública (SESP-MT), em 2026, entre janeiro e abril, já foram registrados 79 tentativas de feminicídio e 14 casos consumados. Esse número corresponde a mais da metade (51%) do total das mortes de mulheres entre 18 e 59 anos de idade no estado. Afinal, nem toda a morte – ou até mesmo assassinato – de uma mulher é considerado feminicídio.
O termo “feminicídio” surge para designar a morte de uma mulher causada pela sua condição de gênero. Ou seja, se uma mulher morre durante um assalto, o crime é considerado latrocínio. Mas se ela for morta pelo parceiro que não aceita o fim do relacionamento, por exemplo, é feminicídio. Porém, a ausência de um vínculo afetivo também tipifica o crime. Quando um homem mata uma mulher por não aceitar suas investidas, é feminicídio.
Esse termo foi conceituado pela antropóloga mexicana Marcela Lagarde durante uma comissão para investigar os assassinatos violentos de mulheres em Ciudad Juárez, no México. A partir do termo “femicídio” de Diana Russel, Lagarde julga o feminicídio como um crime de Estado, devido a omissão e negligência das autoridades. A impunidade dos agressores, segundo a antropóloga, faz com que os casos aumentem cada vez mais.
Entre 2019 e abril de 2026, 97% das mortes de mulheres que aconteceram em Mato Grosso foram feminicídio.
Redatora: Danielly Salvador



